Vejamos um cliente conservador, racista ou simplesmente "limitado", contra um designer puramente criativo, avant-garde, e consciente! Quem ganha? É simples, existem duas hipóteses, ou o designer/account têm a capacidade extraordinária de explicar ao cliente porque razões o projecto levou certas directrizes ou então rapidamente vão acabar por sucumbir, e ai, o cliente ganhou!
Entenda-se esta critica como construtiva, no entanto é comum nas profissões artísticas, e visto não haver uma base científica por trás, a não compreensão da criatividade, muitas vezes não por limitação do cliente, mas sim pela incapacidade de explicar o trabalho desde a sua raiz, e também pela pouca credibilidade que nos é colocada. É importante para nós designers não termos só a capacidade de explicar o processo criativo mas também conseguir antever as reacções do público a quem se destina o trabalho.
Vou dar um exemplo, em que, por curioso o designer ganhou esta "batalha", mas o cliente e o público não entendem o porquê do conceito. Imaginemos a palavra Resiliência, alguém sonha o que é? Pois bem, o trabalho destina-se a uma grande massa de professores, e baseava-se na capa de um boletim informativo que continha no seu interior o texto: "A coragem da resiliência", a palavra significa superar dificuldades, ter força. Como resposta ao texto presente no interior do trabalho, colocou-se na capa, o titulo desse mesmo texto e uma imagem de uma mão de uma pessoa negra, com uma mão de uma criança de raça branca. Racismo ou puro desconhecimento, a imagem não foi interpretada como uma ilustração de força, de união e comunhão entre os povos do meio escolar.
É importante que o designer tenha a capacidade de ver até que ponto o cliente e o seu público são capazes de entender a mensagem subjacente, e de que modo os horizontes do público conseguem relacionar a imagem com o tema/titulo/marca, caso este consenso não seja encontrado é pouco provável que o trabalho tenha sucesso.
Espero ter ajudado os meus colegas e amigos a compreender esta componente de um projecto, o cliente. É uma relação difícil mas cabe-nos a nós aceitar as suas clausulas e fazermos com que o cliente compreenda sempre o nosso processo criativo.
Diogo Martins
